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Título Fafe comemorou 42º aniversário do 25 de Abril
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Data de Publicação 2016-04-26 00:00:00 +0100
Sub-título Mesquita Islâmica e Igreja Católica juntaram-se para orar pela paz mundial
Descrição

Decorreram ontem as comemorações do 42º aniversário do 25 de Abril, em Fafe, com um conjunto de atividades que começaram logo pela manhã, com uma alvorada de morteiros e a XVI marcha pela liberdade, pelos Restauradores da Granja.

Às 10h00, procedeu-se ao hastear da bandeira no edifício dos Paços do Concelho, com o desfile da Fanfarra do Agrupamento de Medelo do CNE.

Raul Cunha, Presidente da Câmara Municipal, acompanhou o momento, com os vereadores do executivo, contando também com a presença do Sheik David Munir, da Mesquita Islâmica Central de Lisboa, convidado a participar do momento que se seguiria, uma oração pela paz.

Na Avenida do Brasil, junto ao monumento de homenagem aos combatentes da Guerra Colonial, que perpetua a memória dos jovens fafenses que perderam a vida no conflito, foi evocada a memória de todos quantos participaram no conflito que durou 13 anos.

Com a presença da Associação 25 de Abril e do Centro de Trabalhos de Fafe dos Rangers, foi colocada uma coroa de flores no monumento.

De seguida, em nome da paz mundial, foi feita uma oração em árabe, pelo Sheik David Munir, correspondente ao 1.º capítulo do Corão, “que é o que usamos quando queremos recordar os entes queridos que já não estão entre nós”.

A oração foi também feita em português, pelo Padre Pedro Daniel, da Igreja Católica. “Os valores universais da Humanidade, entre os quais a liberdade, não devem ser dados como adquiridos; por isso a liberdade continua a ser uma luta”.

Apesar de representarem diferentes religiões, Padre Pedro e Sheik David Munir oraram em conjunto, demonstrando um denominador comum – a paz no mundo.

Finalmente, teve lugar a sessão solene evocativa da efeméride, no Teatro Cinema de Fafe, que abriu com a intervenção de Laurentino Dias, Presidente da Assembleia Municipal. “Os fafenses transmitem à Associação 25 de Abril o reconhecimento pela coragem que tiveram os militares ao derrubar o regime político de então e pela coragem que tiveram ao entregar o país aos portugueses e portuguesas. Estes 42 anos representam um salto brutal de desenvolvimento, possível com a democracia e liberdade em Portugal. Mas temos que, cada um de nós, continuar a fazer o seu trabalho, mesmo quando a realidade ao lado nos desanime. Temos que ir em frente, mesmo que não seja fácil ir em frente.”

Também os representantes dos Partidos Políticos com assento da Assembleia Municipal tomaram a palavra e puderam discursar.

Alexandre Leite, da CDU, enfatizou os “enormes avanços proporcionados pelo processo revolucionário” alertando o facto da “porta que Abril abriu tem estado a ser empurrada. Só a Constituição aprovada em 1976 a tem salvaguardado. Prova disso é a União Europeia que temos, cada vez menos democrática e que quer subjugar Portugal.”

José Manuel Domingues, dos Independentes, salientou, por sua vez, “a homenagem merecida a todos quantos proporcionaram a Revolução dos Cravos. Temos de reconhecer a coragem dos militares que deram força aos inúmeros poemas e canções de intervenção. Comemorar Abril deve ser também refletir: tanta esperança diminuída ou mesmo destruída…”.

Em nome do PSD, falou Jorge Adélio Costa, que atentou o seu discurso na “necessidade de se cumprir Abril”. “Não nos fechamos em gabinetes para decidir e estamos abertos à discussão. Veja-se o exemplo do PDM: o futuro constrói-se na diversidade de opiniões”.

Deixou ainda a questão: “Vivemos numa democracia real quando os jovens não conseguem sair de casa dos pais antes dos 30 anos? Quando temos tão miseráveis condições para os nossos idosos? Vivemos efetivamente numa democracia, mas temos dado passos errados, de tal forma que vivemos numa democracia cada vez mais formal e menos real.”

Armindo Fernandes, do PS, rematou dizendo que “há sempre algo de novo para dizer, nomeadamente em relação ao 25 de Abril.”.

Focou o seu discurso nos homens da Revolução, homenageando o seu papel no derrube do regime político, alertando para os 3 D’s e para o que falta ainda cumprir. “Dos 3 D’s, descolonização, desenvolvimento e democracia, falta cumprir-se desenvolvimento. O desenvolvimento vem por acréscimo e cabe aos políticos proporcioná-lo e garantir que é harmonioso.”

O Coronel Manuel Paiva Bastos, da Associação 25 de Abril, agradeceu o convite para estar presente e pela homenagem prestada. “O 25 de Abril resultou de uma massa de pessoas que decidiram tomar a Revolução nas suas mãos. Temos hoje um Portugal mais justo e mais solidário. Estamos melhor, mas podíamos estar muito melhor… Fazemos votos para que a atual solução governativa frutifique e nos permita construir um Portugal mais democrático ainda.”

Depois da entrega dos prémios Dr. Maximino de Matos e de História Local, bem como do reconhecimento de alguns funcionários da autarquia, Raul Cunha fechou a sessão solene.

“Eles não sabem nem sonham que o sonho comanda a vida…”. Começou assim o seu discurso, admitindo que o poema é um reflexo do que se passou naquele dia de Abril de 1974. “Ao fim de 42 anos de um país livre, faz cada vez mais sentido comemorar esta data. Sobretudo numa altura caraterizada por uma crise de valores que é, frequentemente, a causa da crise política e económica que também vivemos. Em Fafe, lutamos contra esta crise de valores e por isso mesmo trouxemos, nos últimos dois anos, a discussão deste tema ao concelho, com o Terra Justa.”

“O Terra Justa tem colocado os olhos do país em Fafe, o que nos abre portas e cria oportunidades. Temos de, a par da ação social, da criação de emprego, da realização de obras, apostar na promoção do território. Velhos do restelo, esses, sempre os haverá…”.

Raul Cunha terminou com um “apelo transversal aos agentes políticos e comunidade fafense: que os valores de Abril estejam sempre presentes, ontem, hoje e amanhã.”

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