Dom Fafes 13/14 CÂMARA DE FAFE PUBLICOU MAIS UM NÚMERO DA SUA REVISTA CULTURAL A Câmara Municipal de Fafe acaba de editar mais um número duplo (13/14) da revista cultural Dom Fafes. De periodicidade anual, a publicação é dirigida perlo Vereador da Cultura e tem por objectivo publicar trabalhos de investigação sobre aspectos da história do município, “para que os munícipes possam aprofundar o seu conhecimento da identidade cultural que, colectivamente, os singulariza”. O destaque vai para um interessante exercício de classificação e sistematização das dezenas de casas “brasileiras” existentes na cidade de Fafe. “As Fachadas das Casas dos ‘Brasileiros’ de Fafe – Uma Abordagem Patrimonial”, de Helena Teixeira Borba Ribeiro, é o título do trabalho, que sintetiza um estudo académico e no qual a autora analisa minuciosamente as fachadas de 38 imóveis dispersos pelas ruas da cidade, classificados pela autora nas categorias de “palácios”, “palacetes”, “casas apalaçadas verticais”, “casas apalaçadas horizontais” e “outras”. Este número da revista inclui depois seis estudos de inegável relevo para a história local, em diferentes domínios. Daniel Bastos volta a colaborar na revista com um curioso artigo sobre “As visitas do rei D. Carlos I ao município de Fafe em 1906 e 1907: análise e contexto político, económico e social”. Lançando mão da imprensa local da época, de díspares tendências ideológicas, o jovem historiador conclui que, contrariamente ao que reza a historiografia local, o monarca assassinado em 1908, não esteve unicamente uma vez em Fafe. Esteve duas vezes: em 1906, a caminho das termas de Pedras Salgadas e no ano seguinte, no regresso dessas mesmas termas e antes de pernoitar em Guimarães. O professor Francisco da Silva Costa (Departamento de Geografia da Universidade do Minho) apresenta o texto “A Central Hidroeléctrica de Santa Rita – Um contributo para a história da sua implantação”, com amplos informes sobre o princípio do funcionamento da energia hidroeléctrica, o quadro normativo da hidroelectricidade no princípio do século XX, a implantação de centrais e indústrias no vale do rio Vizela e, especificamente, as primeiras diligências para a construção da central de Santa Rita, a partir de 1912, no local das Eiras, na margem direita do rio Vizela. O docente Moisés Peixoto Soares, muito ligado a Fafe desde a infância, publica “Aspectos da Demografia e História de uma Paróquia Rural de Antigo Regime – São Romão de Arões”, resumo da sua dissertação de mestrado apresentada na Universidade do Minho, em 2006, em História das Populações. “Recordando alguns crimes ocorridos em terra de Fafe” é o título de um singular estudo de Artur Magalhães Leite, situado num arco temporal que vai de 1892 a 1972. São crimes perpetrados em diversas freguesias do concelho, noticiados pela imprensa local. e em especial pelo jornal O Desforço e nos quais os assassinos utilizavam armas de fogo (espingardas, pistolas, revólveres), mas também punhais, facas, paus, sacholas, chicotes, machados e até picaretas, ou cometiam os homicídios por estrangulamento, espancamento ou envenenamento. Gil Ismael Ribeiro Soares versa a “Análise dos Aglomerados Rurais de Fafe, classificados no Plano Director Municipal”, feita sobre quatro núcleos habitacionais no concelho de Fafe, sendo dois deles lugares, Moinhos em Travassós e Argande em Queimadela e duas freguesias – Felgueiras e Gontim. O autor assume que não estamos em presença de um estudo exaustivo, mas serve para a consciencialização de alguns parâmetros relacionados com a imagem rural e sentido de lugar. Referência ainda para o estudo “Visitas Presidenciais a Fafe no século XX”, do responsável coordenador da revista, Artur F. Coimbra, no qual aborda as visitas de Américo Tomás (1959), Ramalho Eanes (1983) e Jorge Sampaio (1996 e 2000). Este número da revista culmina com a transcrição da comunicação do historiador Aureliano Barata, apresentada no âmbito da sessão solene comemorativa do 97º aniversário da Proclamação da República promovida pela Câmara Municipal de Fafe, em 5 de Outubro de 2007, no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Depois de contextualizar, com algum detalhe, o surgimento da República em Portugal, Barata fala do contexto político, económico, social e cultural que caracterizava o concelho de Fafe, por altura do 5 de Outubro de 1910. A República foi proclamada em Fafe às 3 da tarde do dia 9 de Outubro de 1910. A revista está disponível para venda na Biblioteca Municipal de Fafe ao preço unitário de 5 euros. |